Grêmio Campeão da Copa do Brasil 2001


Grêmio
– 12 jogos
– 8 vitórias
– 2 empates
– 2 derrotas
– 25 gols pró
– 14 gols contra

Goleadores do Grêmio
Marcelinho Paraíba -6
Zinho – 5
Luiz Mário – 4
Anderson – 3
Marinho – 2
Rodrigo Mendes- 2
Warley – 2
Rubens Cardoso- 1
Eduardo Costa – 1

Copa do Brasil 2001
64 participantes
117 Jogos
371 gols
3,18 média de gols

Artilheiros
Washington (Ponte Preta) – 11 gols
França (São Paulo) – 8 gols
Éwerthon (Corinthians) – 7 gols
Marcelinho (Corinthians) – 6 gols

Jornais e Revistas

Wianey Carlet
Publicado em 18/6/01 – Zero Hora

“Tite, tetra, tchê

Dois títulos em três competições disputadas, nada mal para um time que até três meses atrás era tido como incapaz de grandes proezas. Ontem foi no Morumbi, contra o poderosíssimo Corinthians, do não menos poderoso fundo de pensão norte-americano, tradicional clube do riquíssimo Estado de São Paulo edono de uma das mais fiéis torcidas do país. Agora já são seis títulos nacionais, o que faz do Grêmio um supecampeão, três deles buscados fora do Olímpico, fato que credencia o clube como um autêntico vencedor, seja em que terreno for. Esta Copa do Brasil te sotaque gaúcho, tchê! É a quarta do Grêmio e a primeira do senhor Adenor Bachi, o excepcional Tite, que em seis meses organizou em grande time e já atravessou no peito duas faixas de campeão. A Copa do Brasil deste ano tem em grande vencedor. Nem o mais desvairado corintiano pode negar. O Brasil é azul. Na São Paulo do apagão, Tite apagou a estrela de Luxemburgo. Tite é tetra, tchê!

Para tornar-se o clube brasileiro que mais conquistou títulos nacionais, o Grêmio contou como principal arma o seu apego pelo futebol de alta competitividade. Sempre que conseguiu sintonizar-se com a sua histórica identidade, como está conseguindo, chegou a grandes conquistas.

Desta vez os gremistas não têm autoridade para repetir que tudo é sofrido na vida do Grêmio. O título de ontem foi conquistado quase sem dor. E o escore de 3 a 1 só não pode ser tido como injusto porque uma goleada não foi aplicada por exclusiva culpa do próprio Grêmio. Tivesse convertido metade das chances construídas no primeiro tempo e o Morumbi teria desabado em uma das mais humilhantes jornadas do futebol paulista. Foi um totó histórico.

A excepcional força coletiva do Grêmio acabou destacando algumas figuras que foram essenciais na conquista do título. Marinho, Marcelinho e Danrlei foram, possivelmente, as mais visíveis. Mas esteve na experiência serena de Zinho e de Mauro Galvão a razão silenciosa do sucesso gremista na Copa do Brasil.

O terceiro gol do Grêmio foi umas das mais primorosas obras doletivas que se tem visto por aí. Zinho, Fábio Baiano e Marcelinho tabelaram com a graça e a leveza de um movimento de balé. É verdade que Scheidt já tinha sido cantado pela torcida gremista pro sua expulsão, mas esta é outra história.”

PRESSÃO TOTAL

O Grêmio foi campeão no Morumbi, como em 1981, de meias azuis, como em 1983. E ainda dando uma lição a todo o Brasil, sobre como jogar futebol no novo século

POR PAULO VINÍCIUS COELHO

O capitão Zinho comemora com Danrlei: É tetra, é tetra!

Foi no Morumbi que o Grêmio conseguiu sua primeira conquista nacional. Qualquer gremista se lembra de Renato Sá ajeitando de cabeça e Baltazar fuzilando o são-paulino Waldir Peres, há 20 anos. Foi com calções brancos e meias azuis que o Grêmio entrou em campo em Tóquio, para a final do Mundial Intercliubes de 1983, contra o Hamburgo, da Alemanha. Foi esse o uniforme, no lugar dos tradicionais calções pretos e meias brancas, que se confundiam com o uniforme dos alemães.
O Grêmio de 2001 tinha as meias azuis e o Morumbi como palco. E, se os campeões do passado não conseguiram se livrar da discriminação dos paulistas, que sempre procuravam um defeito em cada conquista – em 1981, o time era defensivo, em 1983, um exército cheio de jogadores de aluguel – aversão 2001 do Grêmio tem muito a ensinar ao Brasil.
Na equipe de Tite, a defesa ataca, como mostrou Marinho, zagueiro de chuteiras brancas, no primeiro gol. E o ataque defende, como ficou claro nas duas partidas das finais contra o Corinthians. No Morumbi, Marcelinho e Luiz Mário não permitiam que João Carlos e Scheidt começassem as jogadas pelo chão, como o Corinthians se habituou. Zinho vigiava Marcos Senna, Ânderson e Rubens Cardoso protegiam os avanços de Rogério e Kléber. E ainda tinha Zinho fechando a saída dos volantes Marcos Senna e Otacílio (ele precisava?).
Ah, mas o Corinthians tem Marcelinho Carioca, Ricardinho, Ewerthon e Müller, diria o mais fanático torcedor paulista. Tinha, responderia o técnico Tite. Porque Müller e Ewerthon mal puderam jogar, tão marcados que foram por Roger e Marinho, no Morumbi – Mauro Galvão ficava na sobra. Para completar, Ânderson Polga não dava sossego a Marcelinho Carioca e Tinga… Bem, Tinga armava, desarmava e ainda não deixava Ricardinho pegar na bola.
“Marcamos a saída de bola contra times que saem com bola no chão”, dizia Tite, antes da final. Quem avisa amigo é. Como os corintianos não ouviram, tiveram de dar bicos da defesa para o ataque, rifar a bola e entregá-la de bandeja para o Grêmio ser campeão.
Pressionando, o Grêmio forçava o erro do adversário. E João Carlos, como se tivesse nascido em Porto Alegre vestido de azul, deixou para Marcelinho rolar para trás, para Zinho marcar o gol do tetracampeonato da Copa do Brasil.
Uma semana antes, Zinho avisou: no dia de seu 34° aniversário, queria o título da Copa do Brasil como presente. Teve mais. Ganhou o prêmio de melhor jogador em campo. Fruto de um cruzamento perfeito para o primeiro gol, de Marinho, do segundo gol que marcou de pé esquerdo e de um passe milimétrico que iniciou a jogada do gol do título, marcado por Marcelinho Paraíba.
Fechou o placar em 3 x 1. Sim, porque houve um único cochilo, que permitiu a Ewerthon fazer para o Corinthians, aos 29 minutos do segundo tempo, tempo suficiente apenas para o Grêmio passar 16 minutos jogando em seu velho estilo. Em vez de marcar no campo de ataque, fechar espaços na defesa. Em vez de forçar o erro do rival, atraí-lo para seu campo e sair em velocidade. Como autêntico time copeiro, coisa que o Grêmio sempre foi. E, como copeiro, agora já se credencia para novas jornadas. Depois de três anos, o time volta à Copa Libertadores. É tempo, então, da América aprender com o time da pressão total.

Verdadeiro nó tático

TOSTÃO
COLUNISTA DA FOLHA

Raramente o esquema tático de uma equipe é o fator determinante no resultado de uma partida de futebol, como o da vitória do Grêmio sobre o Corinthians. No jogo, o chavão “nó tático” nunca foi tão verdadeiro.
Tite, técnico do time gaúcho, já tinha usado o mesmo laço para dar um nó no Vadão, treinador do São Paulo, no mesmo estádio do Morumbi. Vadão ficou tonto, nocauteado, perdeu o emprego e ainda não retornou ao trabalho.
O nó que Luxemburgo recebeu do Tite foi tão apertado que o técnico do Corinthians ficou paralisado.
De vez em quando soluçava. Só não perdeu a pose. Não parava de ajeitar os óculos, como fazem os pseudo-intelectuais.
O Grêmio deu um baile no Corinthians. Escalou três zagueiros, sendo um na sobra, adiantou a marcação, pressionou, tomou a bola com facilidade no meio-campo e esteve sempre próximo ao gol do Timão.
A vitória do Grêmio foi a do novo e verdadeiro futebol moderno sobre o velho e ultrapassado esquema tático tradicional brasileiro. De onde Tite tirou a inspiração para a brilhante maneira de jogar de seu time?
Não me refiro ao desenho com três zagueiros e dois alas. Foi o que menos importou. Não teve nada de novo e especial. O mais importante foi a espetacular marcação e facilidade com que o Grêmio dominou a partida e criou situações de gol. O time gaúcho repetiu a filosofia tática da seleção argentina -única do mundo que marca pressionando em todas as partidas. A França, que não usa o esquema com três zagueiros, alterna a marcação por pressão com o recuo e contra-ataque.
Os franceses são mais prudentes e racionais do que os apaixonados argentinos. Encantam menos, porém jogam com mais segurança. O início da filosofia de marcação por pressão começou na Copa de 1974. Cruyff conta que, 15 dias antes do Mundial, o técnico holandês Rinus Michels reuniu os jogadores e resolveu fazer algo diferente, surpreendente, já que não dava tempo para treinar o trivial. Os treinadores comuns, normais, fariam o contrário. Os holandeses decidiram se divertir na Copa. E encantaram o mundo.
O técnico colocou a defesa, o meio-campo e o ataque bem próximos. Adiantou a marcação e congestionou o meio-campo. Quando o adversário ia dominar a bola, havia um bando de holandeses. Parecia uma pelada. Tomavam a bola e, com velocidade e habilidade, chegavam ao gol adversário. Até os zagueiros se transformavam em atacantes. Uma deliciosa e eficiente loucura tática.
Acabaram a Copa e o sonho. Algumas equipes espalhadas pelo mundo tentaram imitar a Laranja Mecânica, mas não deu certo. Não conseguiam repetir a marcação. Levaram muitas goleadas. Era o fim da utopia e do futebol total. No entanto, aquela gostosa loucura ficou no inconsciente coletivo do futebol. Era preciso recuperar o sonho, mesmo que distorcido. Há alguns anos, criou-se algo parecido. Algumas equipes, como a Argentina, em vez de recuar e fechar os espaços defensivos, passaram a pressionar e marcar a saída de bola do adversário. É um esquema de alto risco. Se a marcação for vencida no meio-campo, a defesa fica desprotegida. Para diminuir esse problema, é essencial um zagueiro na sobra. Outro problema é o cansaço. É impossível jogar dessa maneira durante 90 minutos. Se o time perder o primeiro tempo, terá muitas dificuldades em inverter o placar. Para fazer bem essa marcação, são necessários treinos e a participação de todos os jogadores, inclusive dos atacantes.
Quando estão perdendo, os técnicos brasileiros correm para a lateral do campo para gritar e pedir a marcação na saída de bola. Não adianta. Os jogadores não têm o hábito de executá-la. Essa postura independe do desenho tático. Pode-se utilizá-la com três ou quatro zagueiros. Como a maioria das equipes utiliza dois atacantes fixos, não é preciso mais do que uma linha com três zagueiros. Antes da vitória do time gaúcho, Felipão disse que pretendia escalar três autênticos zagueiros, o que é bem diferente de recuar um volante no momento da jogada, como fazem os técnicos brasileiros. O volante corre para trás e chega sempre atrasado. Os zagueiros estão de frente, olhando o passe, a bola e o atacante. Parece que o Scolari mudou de idéia por causa da provável ausência do Antônio Carlos. O zagueiro da Roma não é tão especial assim para a definição do esquema tático depender de sua presença. Muito mais importante do que o desenho tático será a filosofia ofensiva ou defensiva do treinador. Se o time jogar com três zagueiros recuados, mais dois volantes na frente e os alas como se fossem laterais, terá oito defensores e dois atacantes isolados. É isso que fazem os técnicos brasileiros quando jogam nesse esquema. Viram o galo cantar e não sabem onde.
Sugiro que Felipão convide o Tite, técnico do Grêmio, para auxiliá-lo. Poderia, inclusive, ocupar a vaga do Antônio Lopes, já que a função de coordenador técnico é decorativa. A seleção ganharia um bom reforço.


Trator gaúcho

JOSÉ GERALDO COUTO
COLUNISTA DA FOLHA

Nem o mais fervoroso corintiano haverá de negar: o Grêmio deu um “banho de bola” no Corinthians. O placar de 3 a 1 foi até modesto para traduzir o desnível entre os dois times.
A equipe gaúcha congestionou o meio-campo e marcou em cima os principais articuladores adversários -Marcelinho e Ricardinho-, obrigando o time alvinegro a apelar para a sempre inócua “ligação direta” entre os zagueiros e os atacantes. Quando retomava a bola, o Grêmio partia rapidamente para o ataque, quase sempre com Zinho ou Marcelinho. Ambos estavam em tarde inspirada, mas pecaram nas finalizações, para sorte do Corinthians.
A ausência de André Luiz -meia-lateral com habilidade e visão de jogo- ajuda a explicar a dificuldade corintiana de sair para o jogo. Nunca ficaram tão evidentes as limitações técnicas de Otacílio, de Marcos Senna e de Rogério. Pereira, mais técnico que os três, deveria, a meu ver, ter começado jogando.
Seria fácil também responsabilizar a defesa corintiana pela derrota, já que nos três gols gremistas houve falhas dos zagueiros. No primeiro e no terceiro, o erro foi de colocação, deixando o adversário livre para finalizar.
No segundo gol, João Carlos -xodó de Luxemburgo, da Fiel e de grande parte da mídia- mostrou toda a sua falta de intimidade com a bola.
Mas a razão principal do resultado foi mesmo a excelente atuação do Grêmio, tanto em termos táticos quanto técnicos. Mesmo antes da expulsão de Scheidt, parecia haver mais gremistas em campo.
É uma pena que Marcelinho Paraíba esteja de partida para a Alemanha. Confirma-se com isso o triste destino dos clubes brasileiros da atualidade, que raramente conseguem manter um time de qualidade por mais de uma temporada.
Quanto ao Corinthians, o balanço do semestre foi altamente positivo, sobretudo se lembrarmos que no início do ano a equipe apanhava mais do que índio em filme de faroeste.
Perder a final da Copa do Brasil foi importante para arrefecer um pouco a falta de modéstia em torno do time e, principalmente, de seu treinador.
Terminada a festa, é hora de cair na real: o Corinthians de hoje está longe de ser o supertime de dois anos atrás, e Wanderley Luxemburgo está longe de ser o santo milagroso pintado por certas crônicas esportivas.
Para voltar a ser verdadeiramente poderoso e conquistar um lugar na Taça Libertadores, o clube do Parque São Jorge terá que se reforçar em algumas posições: no gol, na zaga, na lateral direita e no meio-campo (refiro-me a um volante).
E Luxemburgo terá que ser avaliado pelo que vale, e não pelo que pensa que vale.
A propósito: foi constrangedor ver Falcão e Casagrande tentando eximir o técnico de responsabilidades pela derrota diante do Grêmio. Então tá. Quando o time ganha, o mérito é de Luxemburgo; quando perde, a culpa é dos jogadores. Assim, até eu.
Um lance para guardar na memória: Mauro Galvão, 39 anos, mancando visivelmente, olha para o banco e pergunta quanto falta para acabar o primeiro tempo. Havia esperança de que o intervalo fosse suficiente para a recuperação. Não deu. Ficou a imagem de um grande jogador e um homem de fibra.Paulo Roberto Falcão

Publicado em 18/6/01 – Zero Hora

“Banho Completo

O Grêmio deu um nó tático no Corinthians, um show de preparo físico e ainda hogou um futebol de compeão. Marcou o adversário no seu campo no primeiro tempo, como já havia feito com o São Pauloe construiu o resultado com absoluta naturalidade, aproveitando-se dos erros de uma defesa que não conseguia sair jogando nunca. Depois, administrou como quis a vantagem, ragindo ao sufoco corintiano na metade do sgundo tempo com um terceiro e decisivo gol.

Ao conjugar um técnico jovem com um time experiente, o clube encontrou a fórmula do sucesso e comprovou mais uma vez que a Copa do Braisl é a sua competição preferida. No ano em que perdeu o raro talento de Roanldinho, o Grêmio redescobriu a força do conjunto. Chegou ao título sem depender de um ou dois jogadores. Pelo contrário, o grupo é que acabou sendo o destaque, pois a cada perda de um jogador importante sempre entrou em campo outro que deu conta do recado.”


Final – Corinthians 1 x 3 Grêmio




CORINTHIANS: Maurício; Rogério (Andrezinho 21/2), Scheidt, João Carlos, Kléber; Otacílio; Marcos Senna (Pereira 01/2); Ricardinho, Marcelinho Carioca; Müller (Gil 02/2), Éwerthon. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

GRÊMIO: Danrlei; Marinho, Mauro Galvão (Alex Xavier 01/2), Roger, Anderson Lima (Itaqui 35/2); Anderson Polga; Tinga; Zinho; Rubens Cardoso; Luís Mário (Fábio Baiano 10/2); Marcelinho Paraíba.
Técnico: Tite

Data: 17/06/2001, Domingo, 15h00min
Local: Morumbi, São Paulo
Juiz: Antonio Pereira da Silva-GO
Cartões Amarelos: Roger, Anderson Lima
Gols: Marinho 42/1T, Zinho 01/2T, Éwerthon 29/2T, Marcelinho Paraíba 42/2T

Final – Grêmio 2 x 2 Corinthians


Ex-corintiano estraga festa de paulistas
Luiz Mário, que foi liberado pela diretoria corintiana por deficiência técnica, marcou os dois gols do Grêmio ontem

Um ex-corintiano estragou o que seria praticamente a festa antecipada do título da Copa do Brasil para o Corinthians. Após ter aberto vantagem de 2 a 0, o time paulista cedeu o empate ao Grêmio, ontem à tarde, no estádio Olímpico, em Porto Alegre.
Os dois gols da equipe gaúcha foram marcados pelo meia-atacante Luiz Mário, que foi “expulso” do Parque São Jorge por deficiência técnica.
Mesmo tendo cedido o empate ao Grêmio, o Corinthians está bem perto de seu segundo título da Copa do Brasil e, consequentemente, da vaga na Taça Libertadores da América de 2002.
Como fez dois gols no Sul, o time paulista precisa de apenas um empate em até 1 a 1, no próximo domingo, no Morumbi, para repetir a conquista de 1995, diante do mesmo Grêmio.
Um novo empate em 2 a 2 leva a decisão do título para os pênaltis.
O Grêmio só fica com a taça da Copa do Brasil pela quarta vez se empatar em três ou mais gols ou se vencer fora de casa.
O jogo começou bastante equilibrado, com as duas equipes marcando por pressão.
O Grêmio tentava as jogadas pelas duas laterais -com Anderson Lima e Rubens Cardoso-, mas parava nos zagueiros João Carlos e Scheidt, que fizeram um excelente primeiro tempo.
Já o Corinthians, bem posicionado na defesa, pouco arriscava. Marcelinho e Ricardinho, marcados, tinham dificuldades para lançar para Ewerthon e Muller.
Em uma das poucas vezes que chutou a gol, exatamente no momento em que os gaúchos mais pressionavam, o Corinthians abriu o placar.
Aos 29min, Marcelinho recebeu de André Luiz na intermediária e bateu forte. O zagueiro Marinho tentou desviar, mas acertou uma cabeçada e tirou de Danrlei a possibilidade de defesa.
O gol dos paulistas calou o Olímpico, que recebeu mais de 50 mil pessoas ontem.
Até o fim do primeiro tempo, os gremistas insistiam no “chuveirinho” e nas jogadas de bola parada, mas não conseguiram superar o goleiro Maurício.
Na etapa final, o time de Wanderley Luxemburgo voltou melhor e, logo aos 7min, ampliou.
Muller recebeu passe de Marcelinho após escanteio, deu um belo drible em um zagueiro gremista e fulminou Danrlei. Foi o segundo gol do atacante, que conquistou a Copa do Brasil em 2000 com o Cruzeiro, após sua volta ao Parque São Jorge – o primeiro havia sido contra o Flamengo-PI, também pela Copa do Brasil.
O segundo gol parecia que havia “matado” os gaúchos. Mas foi a partir da entrada do atacante Cláudio no lugar de Warley, que não entrou com 100% de condições, que o time da casa cresceu.
A “ressurreição” dos gaúchos começou a 26 minutos do final, quando os 2.200 corintianos que estiveram em Porto Alegre já comemoravam. O gol de Luiz Mário, após bate-rebate na área, acabou com a invencibilidade de seis jogos da defesa do Corinthians, a maior em dez anos.
Aos 25min do segundo tempo, Maurício, que havia feito pelo menos quatro grandes defesas e era umas das principais figuras dos visitantes em campo, falhou e não defendeu chute fraco, de fora da área, de Luiz Mário.
Após o empate, o Grêmio, empurrado por seus torcedores, ainda pressionou para a virada, mas Maurício fez mais duas boas intervenções e segurou o resultado.
Após o partida, Luiz Mário criticou a diretoria corintiana. “Fui o último a saber de meu empréstimo para o Grêmio. Mas não tem nada não. Mostrei hoje [ontem” que tenho futebol para jogar em qualquer lugar. Graças a Deus joguei bem, fiz dois gols, e o Grêmio ainda está vivo”, completou o jogador, que, mesmo com a bela atuação de ontem, deve voltar para a reserva para dar lugar a Marcelinho. O meia-atacante cumpriu suspensão automática. (FERNANDO MELLO
ENVIADO ESPECIAL A PORTO ALEGRE, LEO GERCHMANN – DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE) (Folha de São Paulo, segunda-feira, 11 de junho de 2001)
O jornalista Fernando Mello viajou a Porto Alegre a convite do Clube dos 13


GRÊMIO: Danrlei, Marinho, Mauro Galvão (Roger) e Ânderson Polga; Ânderson Lima, Eduardo Costa, Tinga, Zinho e Rubens Cardoso; Luís Mário e Warley (Cláudio Pitbul).
Técnico: Tite.

CORINTHIANS: Maurício, Rogério, João Carlos, Scheidt e Kléber; Otacílio, André Luís (Gil), Marcelinho (Pereira) e Ricardinho; Müller (Marcos Senna) e Éwerthon.
Técnico: Wanderley Luxemburgo.

Data: 10/06/2001, Domingo, 16h00min
Local: Olímpico (Porto Alegre/RS )
Público: 50.313
Renda: 509,482.00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG);
Cartões Amarelos: Rubens Cardoso, Eduardo Costa, Éwerthon, Otacílio, Scheidt e André Luís
Gols: Marcelinho Carioca 29′ do 1º; Müller 6′, Luís Mário 18′ e 25′ do 2º;

Semifinais – Coritiba 0 x 1 Grêmio

Grêmio supera o Coritiba fora de casa para alcançar a 7ª decisão
LÉO GERCHMANN
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

O Grêmio se classificou para as finais da Copa do Brasil ontem à noite ao derrotar o Coritiba por 1 a 0 em Curitiba- no primeiro jogo, em Porto Alegre, havia vencido por 3 a 1- e enfrentará o Corinthians na final do torneio. O Grêmio poderá ficar sem Marcelinho e Renato Martins -expulsos ontem- no primeiro jogo da decisão, domingo. A partida começou sem jogadas de ataque. A primeira conclusão a gol do Coritiba, que precisava vencer, ocorreu apenas aos 33min, quando Messias chutou, e Danrlei defendeu. A chance mais clara, do primeiro tempo foi do Grêmio, quando Luiz Mário concluiu com perigo e a bola quase passou por baixo das pernas do goleiro Júnior. Aos poucos, a torcida começou a vaiar a equipe paranaense. No segundo tempo, o Coritiba tentou pressionar, mas o time gaúcho fez 1 a 0, quando, aos 14min, Luiz Mário cruzou da direita, e Zinho fez o gol. No próximo domingo, o Grêmio não terá também Rodrigo Mendes e Warley, que estão lesionados. (Folha de São Paulo, quinta-feira, 07 de junho de 2001)

Atitude de Marcelinho gera crise no Grêmio
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

A expulsão do meia-atacante Marcelinho no final de um jogo em que o Grêmio já tinha a conquista da classificação, contra o Coritiba, causou tensão entre jogadores e dirigentes ontem.

O jogador chegou a Porto Alegre abatido e recebeu cobranças no clube por causa de sua atitude que motivou a expulsão. Após um desentendimento com jogadores do Coritiba, Marcelinho irritou-se e pisou em um adversário.
Além de Marcelinho ter sido decisivo nas últimas partidas, Rodrigo Mendes, que seria o outro titular do ataque, está machucado. Warley, o atacante reserva, recupera-se de contusão e pode não ter condições de jogar. Restariam como opções, para atuar ao lado de Luiz Mário, os ex-juniores Cláudio e Guilherme.
Ontem à tarde, porém, Warley surpreendeu e treinou normalmente. “”Não senti dor, quero jogar. O importante foi que pude me movimentar”, disse ele.
Sem Marcelinho para o primeiro jogo decisivo da Copa do Brasil contra o Corinthians, o Grêmio pelo menos tem a volta de Ânderson Lima, bom cobrador de faltas. (LÉO GERCHMANN) (Folha de São Paulo, sexta-feira, 08 de junho de 2001)

CORITIBA: Júnior, Paulo Roberto (Alemão 27/2), Edinho Baiano, Allan, Juliano, Alexandre, Messias, Mabília; Anderson (Silva 17/2); Leandro (Da Silva 01/2), Enílton.
Técnico: Ivo Wortmann

GRÊMIO: Danrlei, Marinho, Mauro Galvão, Anderson Polga, Itaqui (Roger 38/2), Eduardo Costa, Tinga, Zinho, Rubens Cardoso (Gavião 09/2), Luís Mário (Alex Xavier 35/2), Marcelinho Paraíba.
Técnico: Tite

Data: 6/6/2001, quarta-feira, 21:40
Local: Couto Pereira, Curitiba
Juiz: Antonio Pereira da Silva-GO
Cartões Amarelos: Rubens Cardoso
Cartões Vermelhos: Marcelinho Paraíba 23/2
Gols: Zinho 13/2T

Semifinais – Jogos de Volta

06/06/2001 – Quarta-feira
Coritiba-PR 0x1 Grêmio-RS – Couto Pereira
Gols: Marcelinho Paraíba

Corinthians-SP 3×0 Ponte Preta-SP – Prudentão

CORINTHIANS: Maurício, Rogério, Scheidt, João Carlos, Kléber, Otacílio, André Luiz (Andrezinho 31/2), Marcelinho Carioca (Marcos Senna 23/2), Ricardinho, Éwerthon, Müller (Gil 22/2). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

PONTE PRETA: Alexandre Fávaro, Rodrigo, Alex, André Santos, Dionísio (Adrianinho 15/2), Roberto (Carlos Alexandre 02/2), Mineiro, Piá, Elivélton, Macedo, Lucas (Régis Pitbull 01/2). Técnico: Marco Aurélio.

Juiz: Alfredo dos Santos Loebeling-SP
Gols: Marcelinho Carioca , Éwerthon e André Luiz

Corinthians volta à final da Copa do Brasil após 6 anos
Como na última vez em que disputou o título, time enfrentará o Grêmio

O Corinthians está de volta a uma final da Copa do Brasil. De novo, contra o Grêmio. Com a vitória por 3 a 0 sobre a Ponte Preta, ontem à noite, em Presidente Prudente (SP), os corintianos, comandados pelo técnico Wanderley Luxemburgo, conquistaram o direito de disputar sua segunda final neste ano, já que no final do mês venceram o Campeonato Paulista. Desde de 1995 o time paulista não chegava à final da Copa do Brasil. Nesse ano, venceu o Grêmio e conquistou, invicto, o título, único do Corinthians no torneio. O resultado marca novo recorde: a equipe corintiana não sofre gols há seis jogos. Os gaúchos ficaram com a vaga ao vencer ontem o Coritiba, por 1 a 0, na capital do Paraná. A primeira partida da final está marcada para o próximo domingo, em Porto Alegre, às 16h. O jogo decisivo será no Morumbi, no domingo seguinte. O Corinthians começou o jogo de ontem pressionado pela Ponte Preta, que havia perdido a primeira partida da semifinal por 2 a 0. Mas o time de Campinas não conseguia transformar sua vontade de vencer em ofensividade. Em vez disso, abusava das infrações. O árbitro Alfredo Santos Loebeling, de seu lado, deixava o jogo correr. Em um lance, Piá, da Ponte, e André Luiz, do Corinthians, trocaram tapas, mas não receberam nem cartão amarelo. Aos 9min, o segundo erro grave do juiz. Ewerthon recebeu de Marcelinho, invadiu a área ponte-pretana e se jogou ao se aproximar do goleiro Alexandre. Loebeling marcou pênalti. Marcelinho bateu e fez: 1 a 0. O segundo gol do Corinthians aconteceu nos acréscimos, após uma falha de Alexandre. Da esquerda, Muller cruzou fraco, porém o goleiro não conseguiu segurar. Ewerthon foi mais rápido e tocou para marcar: 2 a 0. Loebeling ainda marcou um novo pênalti para o Corinthians no segundo tempo. Aos 29min, Gil foi derrubado por Alex dentro da área. André Luiz bateu, fez o terceiro e sacramentou a classificação. Daí em diante, os cerca de 30 mil torcedores, quase todos corintianos, que foram ao estádio no interior paulista ontem só se ocuparam em gritar o tradicional “olé”. (Folha de São Paulo)

Semifinais – Grêmio 3 x 1 Coritiba

Grêmio vence Coritiba por 3 a 1 e fica próximo da decisão na Copa do Brasil

O Grêmio derrotou o Coritiba por 3 a 1, ontem à noite, em Porto Alegre e, com isso, mesmo perdendo por um gol de diferença em Curitiba, no jogo de volta, conquistará a classificação para as finais da Copa do Brasil. Apesar das boas situações criadas pela equipe gaúcha, porém, foi o Coritiba que fez o primeiro gol. Em um chute de falta da intermediária, Ânderson acertou o ângulo direito de Danrlei, que não se preocupou com a formação da barreira. O Grêmio seguiu atacando, e, aos 33min, Warley empatou. O técnico do Coritiba, Ivo Wortmann, fez duas substituições ainda no primeiro tempo para fazer com que sua equipe conseguisse, ao mesmo tempo, realizar uma marcação forte sobre Tinga e se soltar para o campo de ataque. Aos 5min do segundo tempo, Ânderson Lima sofreu pênalti após receber lançamento. Zinho cobrou e fez 2 a 1. Aos 35min, Ânderson Lima, de falta, fez o terceiro do Grêmio, que dominou a partida durante todo o segundo tempo.

(DA AGÊNCIA FOLHA, EM POA) Folha de São Paulo, quinta-feira, 31 de maio de 2001

 


Grêmio larga na frente nas semifinais da Copa do Brasil

O Grêmio largou na frente em uma das semifinais da Copa do Brasil 2001 ao derrotar o Coritiba por 3 a 1, ontem à noite, no estádio Olímpico, em Porto Alegre, na partida de ida. Agora, no jogo de volta, na próxima quarta-feira, em Curitiba, o tricolor poderá empatar ou até perder por diferença de dois gols a partir de 4 a 2 que estará classificado para as finais da competição. Se o Coritiba devolver o 3 a 1, a decisão será nos pênaltis. O Grêmio foi melhor que o Coritiba no primeiro tempo. Mas teve que suar para empatar. Porque aos 28 minutos, Ânderson, cobrando falta da intermediária, acertou o canto alto direito da meta de Danrlei e abriu o escore. O empate só aconteceu aos 33 minutos. Tinga entrou a dribles na área adversária. Após bate e rebate na área, a bola sobrou para o atacante Warley, que chutou forte, à meia-altura, no canto esquerdo da meta defendida por Marcelo Cruz.
No início da segunda parte, o Coritiba quase surpreendeu, com Ânderson novamente cobrando falta, desta vez defendida por Danrlei. Dois minutos após o Grêmio deu o troco. Luiz Mário fez excelente passe para Ânderson. Ao invadir a área, o ala tricolor foi derrubado pelo goleiro Marcelo Cruz. Pênalti claro que Zinho cobrou forte, rasteiro, e colocou o Grêmio na frente aos 5 minutos. O Grêmio continuou melhor em busca do terceiro gol. Que surgiu aos 35 minutos com o ala Ânderson cobrando falta e acertando o ângulo esquerdo da
meta de Marcelo Cruz. (Diário Popular, 31/05/2001)


Grêmio 3 x 1 Coritiba

GRÊMIO: Danrlei, Marinho, Mauro Galvão, Anderson Polga, Anderson Lima, Eduardo Costa, Tinga, Zinho, Rubens Cardoso; Luís Mário (Itaqui 41/2); Warley (Cláudio Pitbull 11/2).
Técnico: Tite
CORITIBA: Marcelo Cruz, Danilo, Paulo Roberto, Allan (Ataliba 43/1), Juliano, Reginaldo Nascimento (Filipe Alvim 09/2), Messias, Alexandre (Marquinhos 35/1), Anderson, Mabília, Enílton.
Técnico: Ivo Wortmann

Data: 30/05/01, Quarta-feira, 21h45min
Local: Olímpico, Porto Alegre
Público: 32.208 (29,049 pagantes)
Renda: R$ 303.106,00.
Juiz: Paulo César de Oliveira-SP
Cartões Amarelos: Marcelo Cruz, Marquinhos
Cartões Vermelhos: Ataliba 34/2
Gols: Anderson 28/1T, Warley 33/1T, Zinho 05/2T, Anderson Lima 36/2T